sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Boeing está com medo dos chineses

A Boeing, o maior fabricante aeroespacial do mundo, reconheceu que lhe inquieta o fato de a China estar fabricando aviões comerciais, disse ontem à Agência Efe na cidade americana de Seattle o vice-presidente de vendas da Boeing para América Latina, Caribe e África, Van Rex Gallard.

"Se digo que não nos importa e que não temos medo deles, seria incorreto. Prefiro dizer que estamos vendo o que está acontecendo, mas continuamos inovando e melhorando nossos produtos. Não ficamos parados", admitiu Gallard, durante uma visita da Efe à fábrica de Renton, em Seattle (Washington).

No dia 2 de novembro o gigante asiático apresentou a primeira unidade, recém saída de fábrica, de seu primeiro avião comercial, o C919, que quer competir com Boeing e Airbus e que será lançado no mercado entre 2019 e 2020.

"É preciso estar sempre vigilante, embora nós estejamos muito orgulhosos de nossos produtos e das relações sólidas de muitos anos que temos com nossas companhias aéreas ao redor do mundo", disse o diretor.

Prova dessas inovações é o avião modelo 737 MAX, que entrará em serviço no final de 2017, terá um novo motor e consumirá 14% menos combustível, o que lhe permitirá ter uma autonomia de voo de mais de 6.500 quilômetros.

Segundo as previsões de Boeing, o mundo vai precisar até 2034 de cerca de 38 mil novos aviões, dos quais 70% serão de um só corredor, ou seja, aeronaves com autonomia de até 6.000 quilômetros usados principalmente em viagens intracontinentais.

A Ásia será o continente que mais aeronaves vai precisar, cerca de 14.300, seguida da América do Norte (7.800), Europa (7.300) e Oriente Médio (3.180).

A região latino-americana, que vai ser um dos mercados que mais vai crescer, necessitará de cerca de 3.000 aviões, dos quais o fabricante aeroespacial espera substituir no "mínimo 1.500", confirmou Gallard.

"A América Latina é um mercado muito importante porque significa principalmente diversificação", explicou o executivo.

A irrupção das classes médias e o aumento do comércio entre países da região explicam a taxa de crescimento de 6% que o tráfego de passageiros experimentará na América Latina nas próximas duas décadas, "uma das taxas mais altas do mundo", acrescentou o vice-presidente da Boeing.

Os desafios da aviação mundial passam por "abrir os céus" e aumentar a conectividade, na opinião de Gallard, e por conseguir que as companhias aéreas possam continuar vivendo de maneira "sustentável".

"Muitas regiões castigam as companhias aéreas com impostos, não as ajudam a crescer, não reconhecem que são muito importantes para o crescimento das regiões", denunciou.

Etiópia e Panamá, segundo o executivo, são dois "bons exemplos" do que de "bom" pode acontecer na relação entre os governos e as companhias aéreas.

"O Panamá se transformou nos últimos anos em um hub das Américas graças a sua posição geográfica e a sua alta conectividade, e também graças ao crescimento da companhia aérea panamenha Copa", acrescentou Gallard, que amanhã receberá seu avião de número 100 e que na atualidade voa para mais de 70 destinos em 31 países diferentes.

E a guerra do ICMS sobre o querosene de aviação continua...

As companhias aéreas que ampliarem em até 40% o número de assentos para voos nacionais e internacionais com destino à Bahia terão a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a aquisição de querosene de aviação reduzida de 17% para 12%. O decreto foi assinado pelo governador Rui Costa e a medida, que entra em vigor a partir de 1º de janeiro, tem o objetivo de fomentar o turismo no Estado.

O secretário do Turismo, Nélson Pelegrino, lembrou que, já no governo passado, foram editados dois decretos para incentivar a aviação regional.

— Hoje nós temos dez aeroportos importantes do interior da Bahia, porta de entrada para o turismo, que estão servidos de voos regionais regularmente.

De acordo com Pelegrino, além de Porto Seguro, Salvador e Ilhéus, a perspectiva é que a iniciativa beneficie Lençóis, Paulo Afonso, Valença, Caravelas, que tem um novo aeroporto, e também Una.

O incentivo já conta com a adesão antecipada da Gol Linhas Aéreas, que anunciou a intenção de ampliar as frequências regulares de destinos diferentes do Brasil e da Argentina, para Porto Seguro, além de voos diários de Congonhas para Salvador e Ilhéus. De acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), até o último dia 21 de outubro as companhias aéreas com voos destinados à Bahia somaram uma oferta de 6,3 milhões de assentos para o Estado, dos quais 5,9 milhões foram direcionados a Salvador, e 371 mil para outros municípios.

Novo motor para os novos E2 jet da Embraer começam os tester

Os novos Embraer E-Jets 2 ainda não voaram, mas seu motor sim. A Pratt & Whitney, fabricante de motores aeronáuticos, realizou com sucesso o primeiro voo do motor PW1900G PurePower, que vai equipar os novos jatos E190-E2 e E195-E2, em Mirabel, no Canadá.

O teste de voo foi realizado com os motores instalados em um Boeing 747SP da Pratt & Whitney, utilizado como “avião-laboratório” para testas novos componentes.

“O início da campanha de ensaios em voo do motor é um marco importante para nós, no momento em estamos trazendo a segunda geração do E-Jets do conceito à realidade”, disse Paulo Cesar Silva, presidente da Embraer Aviação Comercial. “A adição de motores PurePower em nossas aeronaves de desempenho comprovado e com uma cabine premiada oferece uma proposta de valor atraente para nossos clientes”, completou.

O motor que será aplicado nos E-Jets 2 é derivado da família PurePower, que também equipa os Bombardier CSeries (versão PW1500G) e Airbus A320neo (PW1100G-JM). Atualmente a série acumula mais de 23.000 horas de voo e 40.000 ciclos.

A Pratt & Whitney faz parte do consórcio que também fornece o motor V2500-E5 para a Embraer KC-390, que está em campanha de certificação. A fabricante canadense é ainda a responsável pelo sistema de potência auxiliar para o programa dos E-Jets E2.

Novo Ipanema ganhou certificação da ANAC

O avião agrícola Ipanema 203, novo modelo lançado pela Embraer este ano durante a Agrishow, recebeu a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A partir de agora, a nova aeronave já poderá ser entregue aos clientes para operar na lavoura.

A sexta geração da aeronave Ipanema possui dois metros a mais de envergadura de asa em relação ao modelo anterior, o que permite cobertura 20% maior considerando-se a faixa de aplicação de produtos sobre plantações. “Isso garante o máximo de produtividade sem deixar de lado os dois fatores que transformaram o Ipanema no campeão de vendas no Brasil: o baixo custo operacional e a robustez da aeronave”, diz Alexandre Solis, diretor da Unidade da Embraer em Botucatu, onde a aeronave é produzida.

A campanha de certificação envolveu dois protótipos: o primeiro foi responsável por toda a campanha de ensaios de voo, enquanto o segundo foi utilizado para familiarização da aeronave com os pilotos em campo. A produção seriada do Ipanema 203 já começou e a primeira entrega está prevista para acontecer ainda este ano, informou a Embraer.

O Ipanema 202 foi a primeira aeronave produzida em série no mundo a sair de fábrica certificada para voar com etanol, mesmo combustível utilizado em automóveis. A fonte alternativa reduziu o impacto ambiental e os custos de operação e ainda melhorou o desempenho da aeronave. Hoje, cerca de 40% da frota em operação é movida a etanol e aproximadamente 80% dos novos aviões são vendidos com essa configuração.

Ipanema 203

O Embraer Ipanema é líder no segmento agrícola nacional, com mais de 60% de participação no Brasil e mais de 1.360 unidades vendidas desde a década de 1970, quando foi introduzido.

Além das asas maiores, o novo modelo também possui hopper (compartimento que leva os agrotóxicos) com capacidade 16% maior em volume, o que aumenta a eficiência de seu trabalho nas grandes lavouras. O Ipanema 203 tem até winglets na ponta das asas, recurso muito utilizado em jatos comerciais que melhora o controle e estabilidade da aeronave.

O avião reprojetado também ganhou novo sistema de ar condicionado, cinto de segurança com airbag e cabine mais alta. As alavancas de comando e os pedais foram atualizados, com ângulos mais suaves, que permitem controles mais precisos.

O Embraer Ipanema 203 com motor movido a etanol tem preço inicial de US$ 247 mil.

Programa para as férias da criançada em São Paulo

O Catavento exibirá peças do acervo da Embraer, dando ao público a oportunidade de conhecer as origens da principal empresa aeroespacial do Brasil. O evento acontece a partir de 9 de dezembro. Nessa exposição serão usadas peças do acervo promocional e do Centro Histórico da empresa, como um modelo do avião Bandeirante, em que os visitantes poderão entrar na cabine de passageiros, além de maquetes de aviões, roupa de piloto e outros objetos.

Voltada ao público infanto-juvenil, a exposição temporária ficará até fevereiro na varanda lateral do Museu, e tem como o objetivo fomentar o interesse de crianças e jovens por engenharia aeronáutica e desenvolvimento de tecnologia e produtos para aviação.

A Mostra conta uma história a partir desses fragmentos não cronológicos e apresenta a Embraer como empresa de vanguarda em tecnologia e como referência global em aviação e engenharia aeronáutica.

Com mais de 45 nos de experiência, a Embraer projeta, desenvolve, fabrica e comercializa aeronaves e sistemas, além de fornecer suporte e serviços de pós-venda. Líder na fabricação de jatos comerciais de até 130 assentos, a empresa já entregou mais de seis mil aeronaves em todo o mundo e hoje suas aeronaves transportam cerca de 120 milhões de passageiros por ano.

São 19 mil funcionários de mais de 20 nacionalidades, distribuídos em unidades industriais, escritórios, centros de serviço e de distribuição de peças, entre outras atividades, em dez cidades brasileiras e 17 no exterior (de nove países entre América do Norte e do Sul, Europa e Ásia).

Novo jato militar da Embraer está na disputa pelo SAR canadense

O Força Aérea Real do Canadá está em busca de uma nova aeronave de busca em salvamento (SAR – Search and Rescue) para substituir sua antiga frota de turbo-hélices De Havilland DHC-5 Buffalo, em operação no país desde 1965. A Embraer é uma das empresas na disputa pelo contrato com uma versão especial do jato multimissão KC-390.

Segundo o presidente da Embraer, Jackson Schneider, o KC-390 não só atende a proposta canadense, como também excede os requisitos. Para promover a aeronave, a fabricante divulgou uma imagem do modelo com as tradicionais cores do grupo de Busca e Resgate do Canadá, com uma vistosa pintura amarela de alta visibilidade.

Como explica a fabricante brasileira, o KC-390, que ainda está em desenvolvimento, tem todas as características para atuar em missões de salvamento. A aeronave tem grande autonomia, pode voar a baixa altitude e oferece grande disponibilidade e baixos custos de operação. Além disso, o jato também poderá ser equipado com sensores e radar de busca para atuar em missões de resgate tanto sobre terra como em áreas marítimas.

A aeronave militar da Embraer também vai contar com controles “fly-by-wire”, recurso que automotiza os comandos do avião e permite a tripulação ficar mais focada na missão.

Além da Embraer, também estão na disputa pelo contrato canadense as fabricantes Alenia-Aermacchi, com o C-27J Spartan, a Lockheed-Martin, que oferece a versão mais avançada do C-130 Hércules, e a Airbus, com o C-295. A empresa canadense Viking Air também oferece um versão avançada no veterano Buffalo. A decisão do Canadá deverá ser definida no início de 2016.

Embraer está na briga por mais um cliente na África

A Ethiopian Airlines, maior companhia aérea da África, quer comprar 10 aviões de fuselagem estreita e está considerando jatos da brasileira Embraer e da canadense Bombardier, entre outros, já que planeja quase que sobrar sua frota até 2025, afirmou presidente-executivo, Tewolde Gebremariam, nesta segunda-feira.

Tewolde, que falou à margem de um fórum global de aviação em Montreal, no Canadá, disse que visitará a fábrica de Mirabel, da Bombardier, na terça-feira para ver o avião CS100, de 100 lugares, mas que também considera aeronaves fabricadas pelas rivais.

"Também estou vendo o E2 (da Embraer), os russos, os japoneses, os chineses", disse.

A Ethiopian também tem 14 pedidos firmes do A350, da Airbus, entre agora e 2025. A empresa pretende fazer pedidos para mais 10 aeronaves e está em dúvida entre o B777, da Boeing, e o A350.

A companhia aérea africana espera aumentar sua frota para 150 aviões e atingir 22 milhões de passageiros até 2025, ante os atuais 77 aviões e 7,4 milhões de passageiros, afirmou Tewolde.